terça-feira, 29 de dezembro de 2009

.o inferno dos outros.

.muitas vezes, nosso próprio inferno não basta
precisamos do inferno dos outros para vivermos
digo isso no bom e no mal sentido
tanto de amparo quanto de escarro
se é que existe tal diferença.

.o meu esforço.

.muitas vezes, todo o meu esforço se resume em não me repetir
ou, pelo menos, não me perceber repetir
prefiro improvisações a ensaios.

.me ver falando novamente estilhaços que cortaram outros e a mim em situações passadas
muitas vezes, me dói
me dá a impressão do menor esforço, da menor potência, da menor importância para com a vida.

.muitas vezes acho que o grande esforço da vida,
pra mim,
é consguir sempre inventar um novo mesmo jeito de dizer
que amo algo.

.já disse e repito
as palavras são insuficientes
e necessárias.

.algumas vidas em 2 anos.

.consigo ver nos anos de 2008 e 2009
vidas inteiras vividas a todo o vapor e sem muito pudor
por mim's

por eus.

.fragmentos e estilhaços.

.somos todos apenas os fragmentos e estilhaços do outros
que nos tocam, nos ouvem e nos respondem,
grudados em nossa pele, formando nossos corpos,
fazendo dele a arte dos encontros.

.não nos vejo como mais nada
além de fragmentos e estilhaços dos outros.

sábado, 19 de dezembro de 2009

.eu nunca.

.eu nunca te disse nada
nem te garanti que seria engraçado
ou mesmo divertido
nunca te disse ou afirmei que era bem humorado o tempo todo
não acho que ninguém o seja,
mas eu não o sou.

.não queria te garantir nada
porque, afinal de contas,
eu mesmo não garanto nada pra mim
tá difícil de confiar em mim
há sinceras dúvidas se vale a pena confiar.

.é tudo uma questão de entender que
confiar em algo
é, as vezes, se prender a algo.

.há um vício pelo incerto e pela mudança
que nem sempre permite que se evite às dores,
mesmo as mais óbvias, da incostância.

.da foto.

.não era o momento certo,
era apenas mais um momento
menos cálculo do que sorte
menos ansiedade do que acaso
menos preparo do que consequência
menos ambição do que tédio.

.naquele momento se deparou com o mundo
como nunca o tinha visto em um lugar nunca antes visitado
não podia acreditar que aquela sensação desapareceria
não podia se contentar que só ele visse tudo aquilo
daquela forma tão completa e única que o mundo era e é.

.de repente, sacou outros olhos do bolso
olhos para saudades posteriores
olhos para garantir lembranças nítidas e
diferentes das que podemos guardar em mente
não desperdiçou o momento observando-o
e registrando-o passivamente
viveu totalmente o momento
ativamente observando
ativamente registrando.

.tinha uma nova foto.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

.eu falo.se ouves, identifique-se.

.eu falo das mesmas coisas que álvaros, ricardos, fernandos e albertos disseram antes de mim
não tem como evitar
antes mesmo de saber que eles falaram disso tudo
eu já estava falando também.

.falo da vida
do amor
das palavras
da exitências
de bicicletas
de flores e borboletas
de máquinas e vidas
de loucuras e sensatezes
de repetições inovações
assim como muitos outro antes de mim já o fizeram e ainda fazem sem saber que eu existo.

.entretanto, falo do jeito que me agrada
e, se te agrada também,
por favor,
indetifique-se.

.e assim, pra mim, se faz alguma arte
e, consequentemente, se faz alguma vida
e, não necessariamente consequentemente
se descobre o mundo e se milita.

.sou.

.sou tão nocivo quanto as minhas
mudanças subtas de humor
e meu medo de ficar sozinho.

.sou tão nocivo quanto a minha
incessância de pensamentos e comparações
e a vontade de que você entendesse, pelo menos, parte de tudo isso
que nem eu sei explicar.

.sonhos que sonharam por mim.

.e, derrepente, me vejo desaprendido a andar
não no bom sentido
no sentido de esquecer que eu tenho pernas
uma maior que a outra por sinal (a direita é meio fudida mas eu gosto dela)

por mais de 8 meses
minhas pernas seguiram o mesmo caminho todos os dias
aguém deu a dica
alguém apontou alguma coisa ali

acho que desconectou cérebro e pé
fácil

ai pé se automatizou e autonomizou-se
sentindo-se livre pra vender o seu destino pra alguém
foi rebeldia das pernas
e férias para o cérebro

agora não sei mais por onde andar
ninguém me aponto mais lugar nenhum.

.é estranho
muitas vezes eu vejo e ouço as pessoas falando de como o trabalho aliena o homem
de como o massifica e de como o entorpece e o castra
mas, pensanado nesse desaprendimento de andar
é bem confortável estar dopado.

.talvez nós, trabalhadores financeiramente, intelectualmente, moralmente, corporalmente, mentalmente, ludicamente, ópticamente, literariamente, momentaneamente, infelize e felizmente explorados!, bem gostamos de férias ao cérebro.

domingo, 29 de novembro de 2009

.da ordem e da medida das coisas.

.tudo é movimento
todo movimento é natural e espontâneo
inclusive os movimentos forçosos e falsos

imerso em água nem tão limpa assim
adimirando a similaridade que meu pés têm com minhas mãos
sentindo minha respiração e as batidas do meu coração
interferirem no movimento da água da banheira
assim como a própria água e a própria banheira
interferiam na minha respiração e no meu rítmo cardíaco
eu reparei/formulei/poetei

a medida das coisas e do movimento das coisas
está nas próprias coisas

tudo se dá naturalmente quando tem de se dar
raiva
dor
amor
ódio
alegria
risada
coceira
amor
pigarro
e catapora

acreditar que as coisas deveriam se mover de outra forma
e terem outra medida que não essa que realmente têm
é desacreditar na realidade
e desconfiar do movimento

é depositar esperanças em um lugar
onde a ordem das coisas
é mais natural do que a naturalidade daqui

é dar finalidade ao movimento indefinidamente móvel

a questão da realidade
para se saber sobre a medida das coisas
e confiar que a vida é ... (tempo pensando)
sem adjetivação, a vida só é

para se saber a hora de ir e a hora de ficar
a hora de rir e a hora de chorar
a hora de dizer e a hora de calar
a hora certa pra beijar e pra bater
o momento preciso pra se xingar e se perfazer
para se saber o instante perfeito em que as coisas estarão em ordem e medidas corretas
perfeitas e certas
basta, de certa forma, não saber

saiber apenas que é
que há

que apesar de as vezes não vir nada em mente ou corpo
como depois de uma gigantesca realização ou de uma grande decepção
onde, de alguma maneira, um vazio de sentido e direcionamento nos toma
haverá de haver novo sentido e nova direção
só haverá só
sem esforço
e com confiança

confiar na realidade
eis o nosso desafio
a nossa dádiva
e a nossa vida.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

.algo em mim.

.tem algo em mim que não cabe em palavras
tem algo em mim que se expande e respira,
que sempre que se cabe em qualquer definição,
não se cabe mais do que por um instante.

.lembro de meu humor diário:
só seria capaz de descrevê-lo/caracterizá-lo/conceituá-lo
por intermédio de um poeta sgaz internalizado em eus
um poeta neologista que não parasse em momento algum de escrever.

.há algo que não cabe,
pelo contrário,
foge e briga com as palavras e conceitos
dentro e fora de meu corpo.

.talvez esse algo seja eu mesmo.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

.tratado/contrato afetivo familiar.

.eu não te peço mais abraços
e você não me pergunta mais
que dia eu volto.

.abraços não se pedem
mesmo quando requisitados e correspondidos.

.eu não sei quando volto
não faço idéia de quando vou estar aqui de novo.

.existe algo de duro nisso:
entre a vontade de voltar
e a vontade de não voltar
tudo o que se manifesta
é a indiferença de quem não sabe,
como alguém que não se importa mais.

.talvez valha a pena
não perguntar quando volto
assim como, sem querer,
eu nunca achei que valesse a pena perguntar
quando você iria me visitar.

.quando a gente menos esperar,
eu já vou estar em um ônibus
em direção ao centro
e, como sem perceber,
estaremos ai, nós dois, ai.

.nos cumprimentaremos como se tivéssemos nos visto ontem
e eu sinto que nem faz tanto tempo que a gente não se fala.
na verdade,
nem sei mais quanto tempo faz.

.fazemos ambos a mesma pergunta cretina
como se esperássemos que com essa pergunta
pudéssemos recapitular as semanas de distância:
afinal, como você está?.

.- eu estou diferente.
vejo que você também, nem precisa dizer
parece mais cansada do que nunca
parece mais madura, não minto
parece mais velha
parece feliz com a casa que tem.
mas parece mais cansada do que nunca.

.conversamos um pouco,
assistimos a um filme
e continuamos a fingir,
talvez para o nosso próprio bem,
que filho e mãe não se abandonaram.

.somos humanos demais para percebermos que somos ambos humanos
somos humanos demais para nos abraçarmos ou retornarmos a nos ver
sem um contrato, pedido formal, ou cláusula jurídica válida para menores de idade.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

.sobre meu deus².

.o cosmos é a totalidade em constante movimento. é a totalidade em mudança constante (mudar é se movimentar) e constantes encontros de si-consigo, os quais geram e são o movimento. (acho graça e bonito acreditar que, se há de haver um deus, que ele seja o movimento cósmico e sua afirmação).
.seria incabível acreditar que a vida poderia estar fora da totalidade. tudo está dentro do todo, inclusive a vida. a vida é um das expressões/manifestações da movimentação cósmica, que tomou determinada forma e, desta forma, se fez imagem própria (para nós, construtores de imagens por necessidade) sem ser tão própria assim. não se separa a Vida do todo.
.o que torna a vida especial? o que a faz parecer possuidora de um movimento próprio em relação ao cosmos, ao invés de ser encarada como um dos movimentos do sopro cósmico?
.a vida se caracteriza por ser um fragmento de todo, um fragmento de destino, com organização energética intensa. é uma organização cósmica com película bem fina e bastante permeável, com uma aparente intencionalidade e reatividade própria. essa impressão de que a Vida tem uma intencionalidade própria, observável através da constante necessidade de se afirmar em movimento, não me parece errada. eu sinto assim. construímos muitas coisas enxergando desta forma e vivendo desta forma. a questão é que essa intencionalidade da vida, aparentemente própria, também está dentro do cosmos. afirmo aqui, novamente, que o movimento vivo, é uma expressão de um movimento cósmico. sendo assim, a intencionalidade viva, representa a intencionalidade cósmica.

.trecho do texto 'o eu de porcelana cósmica'.

.sobre meu deus.

.faz algum tempo que, como um crente fiel,
vejo as coisas sempre sobre um determinado
ponto de vista pré determinado
e tudo parece se encaixar
e tudo parece mais leve
e tudo parece um pouco mais inocente sem ser ingênuo
até mesmo criei um deus
o nome do meu deus é
movimento.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

.das perguntas.

.sinto que ultimamente,
mais precisamente a uns 19 anos pra casa dos 20
ouço mais respostas do que perguntas

me respondem mais e antes
do que aquilo que eu pergunto

me acostumei a ouvir respostas
e buscar respostas
antes das perguntas

se as perguntas deveriam surgir por necessidade
não me lembro de darms tempo pra isso
jhá respostas demais para ouvir perguntas
há pessoas demais para ouvirmos a nós mesmos

as perguntas que me fazem
já têm respostas

talvez dai venha a arte
a escrita, a música, a fotografia
que insisto em brincar
talvez essas sejam as minhas perguntas ao mundo
essas são minhas perguntas a mim

talvez seja só assim que eu saiba duvidar do mundo
sendo minha única forma de saber mais do mundo
minha única necessidade legítimamente minha.

.é tempo de ouvir perguntas
é tempo de ouvir o corpo
ouvir a arte
perguntar.

.é tempo de parar um pouco.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

.eu escrevo.

.em parte, eu escrevo porque é bacana lembrar do que eu pensava
e pensar como chegou até aqui.
.o escrito é sagrado.
.as vezes acho tão bom o que eu escrevo que eu até duvido que fui eu quem escrevi.

.acho que esse ano ainda sai um livrinho divertido!.

.amarelo amarelão.

.amarelo amarelão gritou a plenos pulmões
embriagado em uma noite quente
em seu cavalo azul bicicletar
em plena dante
não o inferno de dante
mas a avenidade de um inferno de cidade
a dante michelini
que queria ver produção
queria ver sangue e interação
brincadeira e um poquinho mais de emoção
participação
leitura, interesse e, quem sabe, incenassão
participação
gritou para todos e para ninguém
tentou gritar um pouco além
mas a avenida estava esvaziada
sua raiva foi canalizada
no grito do seu eu
no gemido de seu espírito
no amarelo de seu ser
e ele esqueceu
chegou na cama e, de bêbado, durmiu
sonhou com uma cidade inteira que ele desejva mandar
pra putaqueopariu
e com as fotos que ele iria editar
daquela passeio de bicicleta pela cidade de vitória
em noite de luar.

.adoro.

.adoro o teu sorriso de plástico
daqueles que dói em mim o esforço danado do teu maxilar e buchechas
adoro essa sua roupa que disfarça que você é gorda
ou mesmo que não tem peitos, ou que seu braço é peludo igual a um braço de macaco
adoro essas tuas fotos espontâneas
são tão falsas que eu as adoro
adoro essa tua fé cega na vida e, por que não, em deus
adoro quando você teima que as coisas hão de dar certo sempre
adoro essa tua arrogância, esse teu silêncio e esse teu olhar
que tentam dizer que não me vêem, ou que não se importam
e como a sua intenção é dupla: me fazer doer e te afirmar melhor
adoro os teus carros desnecessários
teus conceitos baratos
seu dinheiro sujo e limpo
adoro as revistas que você finge ler
adoro os mesmos filmes diferentes que você insiste em assistir
adoro a sua produção nula e teu desgaste de um planeta
adoro as suas mulheres secas, sérias e sem graça
adoro o teu gosto porco e tua educação medíocre
adoro a tua gentileza falsa
seus gestos duros
sua falsidade espontânea
adoro o teu bairro limpo e policiado
seu prédios altos e bem cercados
seu porteiros pretos e pardos
e teus filhos idiotas e mimados

mortos
adoro todos vocês
mortos.

.da novidade daquele dia que aquele bom livro me trouxe; aquela que eu já sabia.

.e dia desses eu reparei, não sem ajuda e troca/encontro:
tudo é novidade o tempo todo!.

.até o mesmo é novidade
o mesmo retorna novo
é o eterno retorno
do diferente!.

.o eterno retorto daquilo que é
em si mesmo
surpreendente

surpreendentemente infinito
e nada mais

só isso.

.percebe-se só o que é novo
seja o tempo o mudador
sejamos nós mesmos mudados
e, é claro, ninguém aqui disse em melhorado.


.talvez reafirmado.

.é apenas novidade
sem compromisso
ou necessidade,
é só novidade
que por não ser tão necessária assim
a gente liga ou se desliga
mas ainda é novidade.

.todo o instante é novidade
todo o instante é invenção.

.pra quem sabe brincar de viver
todo o instante é brincadeira do tempo
todo o instante é nossa brincadeira
feita de regras na hora
daquelas boas de se desfazer
quando se sente querer.

sábado, 17 de outubro de 2009

.talvez.

.e, por um instante de ira
daquelas que tremem na base dos joelhos
reclamam na ponta do queixo
e cortam o ar do meio da sua garganta
eu pensei que, talvez,
essa cidade não mude
as pessoas não mudem
as coisas não vão melhorar
o ambiente não vai ficar mais agradável por aqui
pensar em mudança, e ainda, mudança para melhor,
é, talvez, pensar em um nível de absurdo.
.talvez o mundo simplesmente se divida
os interessados e os desinteressados
os educados e os mal educados
os rabugentos e os simpáticos
os mal e os bem atendidos
os produtores em larga escala
e os consumidores em maior ainda.
.talvez seja apenas uma questão da ordem de consumo
é passageiro e mutável
é histórico, genalógico, cinza
entretanto, talvez,
seja assim mesmo.

.e se for,
que haja guerra!.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

.a compra, a venda, a troca e a brincadeira.

.não deixe ninguém comprar sua folga
nem comprar sua vontade de não fazer nada
não permita que ninguém compre o tempo de teus devaneios
nem que compre a tua confiança na vida

não se permita vender tua certeza de que a vida é maravilhosa
de que você produzirá mesmo fora de um trabalho
não venda essa certeza!

não venda a tua vontade do novo nunca
muito menos em suaves e densas prestações de rotina amarga

não venda a tua rota
não venda o teu destino
não venda o teu gosto
não venda o teu corpo

brinque com o dinheiro
brinque com a situação

não se vende por dinheiro
nem pela situação.

invente novos caminhos pros mesmos lugares
sem esquecer de deixar os mesmos lugares diferentes

faça da venda, troca e compra, uma outra relação
produza em cima da dor e da alegria
produza sobre a oportunidade constante
brinque.

venda a brincadeira!
venda somente a brincadeira.!

.a ladeira e a bicicleta.

.acho graça do quanto aprendo com a bicicleta

ontem a noite, fiz questãod e descer uma ladeira íngrime com a bicicleta
como quem confia
como quem é seguro do certo e do errado
como quem confia numa escolha que não é tão sua, mas em parte sua

foi uma das primeiras vezes na minha vida
que eu me deixei ir
do alto ao baixo
usando e desusando os freios

sentindo
sentindo-me forte

e foi bom
diferente
imprevisível, porém certeiro

a queda, se necessário, faria parte
mas não fez

o vento no meu rosto lembrou-me da infância
lembrou-me do medo
lembrou-me do crescer.

.coisas pra trás.

.deixei certas coisas pra trás
tento não pensar nelas
não consigo evitar
tenho pena das coisas inanimadas que eu não uso
tenho pena das boas idéias que eu não exerço
tenho pena das atividades que deixo de fazer
queria ser tudo aos montes.

.acho que tudo isso
idéias, coisas e atividades, de certa forma, se sentem tristes por serem esquecidas, ou evitadas.

.eu sei, isso é só narcisismo.

.mas dá pena.

.dos livros no lixo.

.sai do trabalho de bicicleta, da mesma forma que cheguei
com aproximadamente 30 segundos de pedalada, na mesma rua do restaurante
eu vejo um homem com uma carruagem de papelão
apilhando livros que se encontravam ao redor e dentro de uma grande lixeira
daquelas fundas, específicas para lixo seco
dentro de sua enrome carruagem

dizendo por alto, eu diria que vi mais de 200 livros naquela cena bizarra

aos que brincam com a vida, não falta encontro com o surpreendente

perguntei ao catador de papel se podia olhar nos livros que ele estava catando
achei livros toscos e antigos, livros velhos e alguns quase recentes
livros sobre teologia, militaraismo brasileiro, história do brasil e filosofia

inusitado

catei alguns
enquanto catava, imaginava como os levaria para casa de bicicleta
quando vi, ao meu redor tinham mais de 10 livros de capa dura e pesados que me interessavam

enfim, vou resumir a história
estou num misto de vontade de detalher esse momento pra reler e rir depois com muitos detalhes
e vontade de escrever uma reflexão sobre isso
dá preguiça de escrever detalhes
apesar de gostar muito de, tempos depois, reler detalhes

enfim
achei graça do lixo
achei continuidade do lixo
depois não era mais o catador quem metia a mão na lixeira
mas eu
a lixeira era enorme e escura, a cada mãozada saiam mais livros, os quais eu morria de curiosidade para ler os títulos

confesso que a maioria me desagradava em gosto
mas me deixava facinado como registro histórico
pensei como os livros são história
a história de com a história se formou
nenhum livro é ruim
nenhum livro é inútil
os livros são uma das expressões de um continuidade!

antes dos livros, tinha vidro e sacos na lixeira
mão com cortes e livros

um bergson e um sorriso
um nietzche e uma garagalhada
aldous huxley!
autores que eu só ouvi de nome, ams reconheci
e outros muito undergrounds

surreal...surreal...

livros em lixeiras

deus sabe o quanto eu acho graça nos livros
eu não os resisto
quero comprar todos
nem é questão de lê-los
querendo ou não, não é esse o ponto fundamental
mas eu acho que o ponto, pelo menos um dos bacanas
é o acesso
é a cobrança
ter um livro é como uma idéia que cobra ser pensada!

me sentia bem mechendo no lixo
apesar dos cortes

o senhor que jogou os livros fora me viu mechendo na lixeira
oscar
disse-me que os livros eram de seu falecido sogro
e que por dias tentou doa-los a qualquer um
num desespero por ocupação de espaço caseiro
jogou parte fora


no desenrolar da história, oscar me chamou pra ir até a sua casa
falei também com sua esposa
disse-me que a maior parte da biblioteca abandonada ainda estava em casa
e precisava ser desfeita
mas que estava quase encomendada

acho que por desespero
e por dó de jogar tantos livros fora
oscar pegou meu telefone e disse que se der qualquer coisa errada
eu posso pegar os livros
dentro da casa de oscar, vi mais de mil livros encaixotados
me deu vontade de sentar e ver todos os livros que estavam dentro das caixas

um dia eu talvez entenda essa minha paixão visual por livros

por respeito, ou sei lá pelo que
perguntei o nome do falecido proprietário da biblioteca

- iacy - respondeu-me oscar.

disse tratar-se de um teólogo mineiro e não lembro mais o que

pensei tantas coisas sobre iacy que me dá preguiça de escrever

mas acho que pensei em iacy como um homem que eu gostaria de conhecer
me conectei com iacy sem nunca conhecê-lo
movimento cósmico

a mentira do conhecimento, como todas as outras mentiras, pode agradar
me agrada
gosto de pessoas que apreciam
o conhecimento
gosto de iacy.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

.narrativa central.

.gripe
o elemento fundamental dessa narrativa espacial
uma narrativa que intente situar o leitor em um determinado espaço
tem como elemento fundamental
a gripe
a porra da gripe
daquelas que teu nariz não pára de escorrer por um segundo
de tanto limpá-lo com lenços, suas extremidades sangram

gripe tão forte
que não há apetite
nem vontade
levanta-se cama por fim de atestado
levanta-se da cama sem indentificar vontade alguma
e sabe-se que será o dia inteiro assim
um corpo, ou objeto, sem vontade alguma
um objeto

gripe da pior condição
gripe em dia insuportavelmente quente

meio dia
gripe
corpo mole, febril, passos frágeis e calçada desnivelada
sobrem pedregulhos e buracos na calçada
falta espaço
por um instante curto se distrai
esquece do nariz e da garganta arranhada e pensa
“não há bengalas ou cães suficientes para essas calçadas.”
a corisa desce até o lábio superior
se confunde com o suor da pele
é mal aderida pelo lenço de papel já completamente úmido

falta espaço na calçada
o calor é insuportável
as roupas grudam nas costas
a virilha parece estar fervendo aos poucos
e, a todo momento
pessoas não param de esbarrar
e pior
empurrar-lhe panfletos
foge
disfarça
pega um folheto de dentista e outro de mãe de santo
juntos
joga os dois no bueiro
juntos
com a intenção de afogar a cidade inteira quando a porra da chuva cair no momento errado do dia errado por não ser hoje

do lado direito
anunciantes gritam em microfones e caixas de som rachadas
as roupas mais coloridas e bregas que você já viu na vida
imagina como há a possibilidade de qualquer filosofia pensar na existência de uma escolha
tendo esse maldito anunciante como exemplo
ele é um destino
um destino fudido
um deles lhe chama
faz uma graça
finge-se um sorriso
apressa – se o passo pra onde não tens a menor vontade de chegar
os gritos fazem a dor de cabeça aumentar
seu corpo anda por si
rasteja de pé
passo curtos
incertos
e moles

pensa na cama
nos lençóis nem tão limpos
mas sobre a cama

do lado esquerdo
gás carbônico
um fluxo infinito de carros
velhos e novos
enfumaçados
expelindo gases que você tem certeza
te fazem sentir mais calor

o nariz entupido não permite sentir o cheiro da fumaça
sente-se somente o gosto
asfixiante
como se não fosse o bastante
sobram buracos
anunciantes
pedregulhos soltos
alguns pedintes sujos
e falta ar

você reconhece então a sua primeira vontade do dia
a vontade de não existir.

.tinha vontade.

.tinha vontade de escrever sobre alguma coisa
tinha vontade de ter narrativas publicadas
poesias discutidas
sensações descritas e compartilhadas
não via razão nem sentido na escrita
mas gostava
não via porque se importar com o que os outros vão pensar
ou melhor
se os outros vão pensar sobre seus pedaços e fragmentos expostos em papel
ou em tela de computador

não era um apreciador de si para admirar a própria escrita
escrevia e escorria de uma vez
sem distinção
e depois nem lia de novo
confiava no fim da vontade

pouco tempo depois voltou a ler o que havia escrito
fazia tão pouco tempo
e, por incrível que pareça, as frases certeiras e auto impactantes
não eram mais as mesmas
não faziam mais suar
não se faziam necessárias, ou mesmo pareciam próprias
eram pouco afeto
eram passados
afinal, o que mais poderiam as palavras ser?
passados registrados
e se possível
esquecidos

achava que a palavra poderia ser tanto a memória que a gente quer guardar
quanto à memória que a gente quer esquecer
quanto à memória que a gente quer descobrir

mas é sempre passado
ações passadas em ações presentes
ações nunca passadas em ações sempre presentes
ações sempre passadas em ações nunca presentes

tinha vontade de agir sobre o presente e o futuro
só usando o passado
se perdendo em palavras
e perdendo as palavras
aos montes
com o sagrado e maligno
o tempo

tinha vontade de escrever
tinha vontade de alívio
tinha vontade de publicar um livro.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

.sobre meu peito.

.agora eu falo dele
ele não em dá o mínimo sossego ultimamente
literalmente!
tem um buraco enorme nele
é literal porque eu vejo a cada dia crescer
é literal porque se não fosse literal
eu não sofreria tanto
é literal pelo fato d'eu saber que o é
há um buraco no meu peito
que grita necessidade de tudo
e tira a finalidade de tudo
me impedindo de tudo
me restando o relento ao nada
me convencendo da inutilidade da vida
me lembrando, só lembrando, como a vida foi idiota
sempre disfarçada de interessante, é claro.

meu peito e seu buraco
brincam de intercalar angústia e ansiedade
angústia como admiração do vazio
ansiedade como a espera de que no futuro o vazio cessará
o coração acelera dentro do buraco e a brincadeira fica séria

eu sinto e pressinto uma explosão cósmica
ninguém mais vê
ninguém mais sente
só eu e meu buraco no meio do peito.

depois a chuva vem
alivia
o acontecimento alivia
saber que as coisas mudam, que a chuva vem quando menos se espera
saber, ver e sentir que há beleza sem planejamento e sem a necessidade de ansiedade parece aliviar a dor e o vazio

ai só sobra registro
essa palavra
essa aqui
vai perder o sentido daqui a pouco

só ganha de novo na próxima crise de ansiedade.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

.caralho.

.eu sinto que todo mundo deveria ler o que eu leio!
caralho!.

.odeio não ter com quem conversar.


"mimado."

"leiam freud e reich."

.pulsões (vida).

.às vezes parece que teu seio vai preencher o vazio da minha boca e da minha vida.

.pulsões (morte).

.é nosso querer ficar parado
estagnado
encontrar o fim da necessidade
encerrar a falta que não cessa.

.e toda vez que você me vem
com essas porras desses socos racionais
eu me sinto mais fudido
eu me sinto despreparado
eu me sinto abalado

todas as teorias que eu argumentei comigo mesmo por horas
todas as minahs certezas estantâneas
meus sonhos bestas e minhas ingenuidades
tudo se desmancha

puta que o pariu
eu me sinto mais vivo

.quem diabos é você pra me dar vida?.

.de elogios e críticas.

.não sei se é da cultura ou da região
mas a cada elogio que eu vejo
custumo ver mil críticas logo atrás.

.e tudo vai pro ralo.

.uma das piores sensações que eu conheço
é o da desaprovação descabida e repentina
de algo tão seu
que você se pergunta se não é você.

.por mais que eu tente, a opinião dos outros ainda importa.
.as palavras ainda ferem gestos.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

.todo o dia, logo pela manhã.

.todo dia, logo pela manhã
lhe desejo
força
pandeiro
e tamborim

pra achar um novo samba
que te dê mais vontade de viver

triste é quem não tem samba
ou busca motivos pra dançar

triste mesmo não é o que tem tristeza
pois até esse sabe fazer samba

triste é o que pergunta porque motivos o samba há

triste e bobo é o coitado que não sabe
que nessa vida
se samba pelo prazer de sambar.

.mãos dadas.

.mãos dadas
carinho
mãos dadas
suor
mãos dadas
posse
mãos dadas
cautela
mãos dadas
ciumes
mãos dadas
cuidado
mãos dadas
medo
mãos dadas
rua
mãos dadas
negócios
mãos dadas
cinema
mãos dadas
passeio
mão dadas
repulsa
mãos dadas
disfarce
mãos dadas
amor
mãos dadas
rotina
mãos dadas
pavor de estar só.

.lições que aprendi ao andar de bicicleta sem botar a mão no guidon.

.lição n°3.

.tem uma coisa que eu sempre achei, e ainda acho, engraçada e curiosa
sobre andar de bicicleta sem botar as mãos no guidon

como se curva sem botar as mãos no guidon?

o engraçado é que quando comecei a andar de bicicleta sem botar as mãos no guidon
eu ainda não sabia como curvar
e, mesmo assim, curvei

quando curvei, e consegui desviar de pedras e buracos,
por incrível que pareça, pra mim, pelo menos, que dialogo muito comigo
não tentei explicar como se curvava sem as mãos
me bastou apenas curvar

por desencargo de consciência
decidi!
sem as mãos no guidon
a bicicleta curva...
com fé!

basta querer
basta acreditar
e ela curva

não precisava de explicação
estava tudo ótimo

assim como
começar a andar de bicicleta
e continuar a andar
sem botar as mãos no guidon

é só uma questão de acreditar que você não vai cair
por absurdo que pareça
você não vai cair se acreditar
e pedalar como alguém que acredita
que a bicicleta e você se sustentam sem as mãos

basta fé

sentir
independe
de
palavras.

quem me dera a vida
fosse mais parecido com curvar numa bicicleta sem as mãos no guidon.

.mais samba.

.me perdoem,
mas também falarei de samba

pra variar
falo do samba que sim
por direito e por merecer descanso
morreu

assim como todo amor e toda a verdade
o samba também hei de morrer
assim como todo querer,
bem querer
e bem te vi.! (pobre bem te vi)

há samba de tristezas
e samba de alegrias
talvez por isso seja tão difícil deixar o samba morrer
por sua completude
por nossa limitação polar
e por nossa chatice.

deixa o samba morrer
hoje eu to sem definição!

não caibo eu mais em sambas
muito menos em palavras

quem me dera caber em sínteses
talvez houvesse menos busca
e, ai sim,
samba!

hoje não

hoje, por mim,
o samba morre
e descansa em paz.

.devaneios a, no máximo, 60km/h.

.passa a roleta
agradece por não estar de guitarra nas costas
odeio passar a roleta com a guitarra

escolhe a cadeira lá do fundo
tem que sentar na janela
inevitável e incompreensivelmente
sempre a janela

escancara a coitada já meio quebrada
sente o vento frio bater no rosto
cafunga fundo
é fuligem de motor com cheirinho de terra molhada
que combinação

é o co² e liberdade
misturados em doses alopáticas
direto pra fussa

pensa muito...
abre a mochila e bota a mão no livro
daqui até o meu destino, dá pra ler umas 10 páginas
é um adianto

abre o livro
lê uma frase

e começa a pensar
e organiza todos o livros
os que tem e os que quer ler

e começa a pensar
e programa a semana inteira
mesmo que esqueça no próximo ponto,
de ônibus, ou da conversa alheia ao lado

fecha o livro esquecido em mãos
aquele que por um certo período de tempo
tinha a esperança de ler na viagem

e começa a pensar
e faz planos pro futuro
analisa bem a profissão
que amanhã mesmo vai desistir de seguir por decepção

e começa a pensar
e planeja ensaios musicais
livros inteiros a serem escritos
as malditas fotos que se, puta que pariu,
não tivesse esquecido a câmera
tiraria agora mesmo

e começa a sonhar
com filhos
com a paz do mundo
com a possível mulher
com a possibilidade de transar com homens
a possibilidade de morrer agora ou depois
quando terá um estudio
quando haverá cultura no estado e na sua cidade
com o dia em que viverá só do que gosta
só de arte e bobagens como o amor

teoriza sobre a toda a vida
encontra todas as respostas para a humanidade e pra si
acha uma resposta pra tudo
que se esvai até o ponto final

e, no final,
guarda o livro na mochila
salta do ônibus

com os pés leves
e os passos firmes

pés na realidade.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

.danúbio (a se ouvir na margem).

.não é a mesma música
por mais que queiramos
não é a mesma música

nem somos as mesmas pessoas
cada vez, pessoas diferentes
se banham num danúbio diferente
ou contemplam a diferente margem
de um mesmo rio

sempre será a mesma música
sempre sendo outra música
seu corpo será mudança
e seu nome só não o será também

por se chamar danúbio.
video

.frágeis pilares.

.sorrisos cínicos ou frágeis trafegando em dor
buscando sempre as mesmas metas que se distanciam a cada dia
trocando vida por promessas e afirmar valer
confiantes no valor de nosso suor

somos como frágeis pilares sustentando diariamente novas necessidade
sem nunca nos satisfazermos, sem nunca cansarmos do mesmo
visando sempre uma suposta perfeição

parcele seu desejo em prestações
seja tudo aquilo que você nunca quis ser
se segure até o final do mês
compre agora e aguarde ao novo lançamento

mostre ao outros como é bom
seja você também nosso produto
fique calmo, isso é melhor pra você
agüente um pouco mais o peso

(as vezes) o peso se torna insuportável.

.tatuagens e cicatrizes.

.pelas palavras e frases que agora ecoam com um tom de arrependimento.
e os meus rabiscos que eu te dei, eu percebi, já se mancharam,
e tão rápido quanto, secaram das gotas do final infeliz

todas as palavras, gestos e rabiscos foram meus para serem teus
quando foram para ser, foram todos sinceros
nem me questiono se foram sinceros demais
menos sinceros do que foram não seriam meus

e eu sei que cada ato dessa vida é eterno em memória e conseqüências
e eu percebi, e nem por isso me arrependo de cada uma das minhas,
que tatuagens e cicatrizes não se apagam.

estou tão certo de viver aqui e agora,
quanto estive certo quando vivia com você.
entre os diferentes instantes
só mesmo a sinceridade e a certeza os unem.

domingo, 26 de julho de 2009

.a um amigo tão criativo quanto eu.

.eu queria que as coisas fossem um pouco mais fáceis
queria que toda essa chama de vontade de criar e gritar música e poesia
não tivesse que se conter diariamente
não tivesse que se limitar a empolgantes pensamentos
em curtas viagens de ônibus
ou conversas empolgadas onde nos imaginamos fazendo aquilo
que realmente gostariamos de fazer

queria que muitas coisas mais saissem do mundo de nossa imaginação
com a mesma força que nos impulsionam a continuar a estarmos aqui

quando eu converso contig
oas vezes eu sinto que a gente sofre e resiste
ao mesmo tempo
de forma silenciosa e intensa demais.

talvez seja esse o segredo de se estar e continuar vivo.

.o livro.

.decidi hoje
vou publicar um livro
independente mesmo
antes (ainda esse ano) pensei na possibilidade de ser escritor
ganhar dinheiro com escrita e ser publicado

mas hoje foi definitivo
vou me publicar
nem que seja com xerox
vou me publicar

odeio depender diretamente de algo ou alguém

sei que nada é independente

mas eu odeio depender de algo tão específico como uma só pessoa

ou um só objeto

acho que é por isso que eu odeio um tanto remédios e vítimas

nem acho que vai valer alguma pena
nem espero que tenham penas na história
falando em penas
o nome do livro vai ser
".será que o urubus são tão humanos assim?."

me amarro nessa frase


só não sei ainda o nome do autor.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

.despertar.

.sangue.
.eu preciso de sangue.
irrigação cerebral
o pensamento não vem
nem formata
nem processa

os olhos não abrem direito
por mais que eu queira

eu tenho gosto de baba na boca
eu tenho gosto de hoje na boca

meus pés não querem pisar por esse caminho
eles querem sambar
sambam até o baheiro pra eu mijar
sambam até a cozinha pora eu tentar beber um pouco de água
que não desce

a comida também não desce
nem tem vontade de descer

meu despertar diário
é uma forma de contra existir
ou uma forma de destruição existencial

neguei o hoje.
me deixa dormir mais 5 minutos.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

.os urubus.

.pra onde eles voam?
eles são tão lindos
a gente nem repara mais

parecem morcegos corajosos que desbravam o dia
são grandes
parecem livres e despreocupados
voam devagar e com poucas braçadas
contrastam de forma invisivel com o céu
nem reparamos mais

batem as asas e rodam pelos céus
não precisa de esforço
não precisa de objetivo
o belo se tornou comum
e deixou de ser belo
ou o belo se tornou feiúra
e, por fim, se tornou invisível
e a gente nem repara mais no vôo

tanto é, que não perguntamos
pra onde é que os urubus voam?
quando perguntei a meu irmão ele disse
em busca de comida

parece uma res
sposta muito simples pra mim
e muito complicada
ao mesmo tempo

ele tá parado
olha prum lado
olha pro outro
e levanta voô em busca de comida?
parte pra um objetivo único
com variantes poucas (carniça ou lixo)
e se basta com isso?
será que o urubu é tão humano assim?

no meu devaneio
o urubu voa por voar.

ele é um privilegiado
ele é sempre contraste com o ambiente
ele é sempre feio pra gente
ele é sempre livre e não se importa
afinal, ninguém quer exibi-lo numa gaiola

a gente não repara neles por inveja
por descaso
por desinteresse
por diferença
por medo
por arrogância
e por não nos importamos
infelizemente
a gente nem repara mais.

.nunca me contaram.

.nunca me contaram que parte do amar
envolve ficar numa posição desconfortável
de mãos dadas,
durante umas duas horas,
em média,
no cinema.

.carruagem de papelão.

.freada brusca e buzinaço
- sai dai, porra
não há paciência, não há tolerância, não há beleza
e nem era de se ter
a chuva castiga
ela é exceção por aqui, todos sabemos disso
os carros freiam com maior dificuldade
o trânsito, por si só, já é mais lento
não é obrigação de nenhum cidadão de bem
aguentar a lentidão de uma carruagem de papelão
elas que sujam o trânsito com lentidão e feiúra
com empilhamento e retrocesso
ali, num pequeno espaço cúbico
há tudo aquilo que já jogamos fora sem nso importarmos tanto
documentos
embalagens
informações
e homens
freada brusca e buzinaço
- sai da rua, caralho
na frente da carruagem
por conta dum misto de desespero e pressa
ele corre
no lugar que um dia o burro ocupou
ele corre
no lugar que um dia um escravo ocupou
ele corre
é puxador de carruagem
ensopado
talvez aflito
talvez feliz
ali, no peito do homem, nada impede que haja ironia ou discenso
mas chovia forte
os carros eram novos e potentes demais pra esperar
a carruagem de papelão resitia à agua
e ao mesmo tempo se desintegrava.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

.será que a fonte secou?.

.não consigo ter mais idéias tão claras quanto antes
não imagino textos semi prontos nem me arrisco a escrever na sorte...
será que a fonte secou?
será que tenho ocupado meus pensamentos mais com dinheiro e com notas (números)
que com palavras, afetos e ironias?
o que será de mim e dos números
talvez uma adaptação
a poesia numérica

1000 real, nada mal
6,5 não passa de semestre
13000 de comissão
9,0 sem esforço em personalidade

po, até que dá poesia.

sábado, 27 de junho de 2009

.sobre o que admira zaratustra.

.o homem que causa admiração a zaratustra é o homem que, por onde caminha, não só faz percorrer, mas se faz caminho. fala-se do homem que caminha pelo próprio caminhar. o homem que encara a possibilidade de percorrer o trajeto como dádiva da existência, grande razão da terra/do ser. o homem que vê tal caminho como escolha, e a repitiria eternamente. a admiração de zaratustra vem da possibilidade do homem se reconhecer e ser dentro de seu caminho.
em contraposição, o homem que faz de seu caminho penalidade/punição para que, sobre essas condições, encontre uma existência harmônica e final/definitiva é repulsivo a zaratustra.
sendo assim, é, também, repulsivo a zaratustra a idéia de transmundaniedade, a idéia de estágio auge do ser, a idéia do fim dos conflitos entre forças que perpassam o homem. cabe-lhe, muito mais, a idéia do constante acabamento, a idéia da existência como eterna construção, conceitos que, para zaratustra, denigrem o homem se negados.
a eterna construção, o ser eternamente ponte/conflito e rearranjo.
do eterno conflito do homem é que se dá a razão da existência. e buscando a totalidade, inevitavelmente inalcansável de forma estática, e não à perfeição, que se dá sentido à vida para zaratustra.

"o que é de grande valor no homem é ele ser uma ponte e não um fim; o que se pode amar no homem é ele ser uma passagem e um acabamento." (zaratustra)

.sobre crescer.

.as pessoas não crescem
é, simplesmente, a incapacidade humana
de sustentar um conceito esdruxulo
os mesmos bicos sempre
as mesmas inseguranças.

.hoje não.

.hoje eu não to com paciência alguma
nem pra mim, nem pra você

hoje eu não consigo e nem quero ter explicação
cada nova resposta, hoje, é só mais uma chance de me iludir

hoje eu não consigo pensar em nada sem me contradizer
e, como maior contradição a meu bem, hoje não consigo parar de pensar

hoje eu não faço questão de fazer sentido
não me alisto no exército da razão

hoje eu não sinto nada com nome
mas, por ser babaca/humano, tento nomear o tempo todo

hoje eu não me sinto certo
até eu estou contra mim

me acho cafajeste
fraco
hipócrita
nojento
metido
e mesquinho

mal me suporto só
quanto mais em contato

hoje não passa
por incrível que pareça
parece que hoje já basta
e tudo que eu quero
é saber o que eu quero

parece que não me falta nada
fico completo com todo esse desconfiar de mim
mas, ao mesmo tempo, me falta tudo.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

.trânsito urbano.

.é tudo muito corrido, é tudo trânsito, é tudo passagem, é tudo passageiro; e, com tanta pressa, chega a ser engraçado tanta lentidão em um engarrafamento.
tanta limpeza não disfarça o cheiro de mijo e de vômito das ruas, isso quando estão limpas. eu me pergunto se algo disso foi planejado, se alguma rua dessas foi pensada, ou se só correram por necessidade e pressa.
não lembro dessa cidade ser tão engarrafada asism. me parece que, faz uns 2 anos, a gente se acostumou com a idéia de mudança, de melhoramento, de agilização e, para que esse processo acontecesse, enfrentariamos, temporiariamente, constantes engarrafamentos, constante lentidão, constante raiva e sufoco.
a cidade se encheu de obras. se encheu de mudança, se encheu de buracos e muita poeira. parecia uma solução definitiva. só podia ser uma solução definitiva! as avenidas mais importantes, as artérias da cidade, estavam parcialmente entupidas. tinha que ser definitivo!
logo pela manhã, a gente matutuava que ônibus ou que caminho pegar. qual caminho tinha menos obras. mas era inevitável. a ilha não é tão grande assim. os caminhos que não tinham obras em andamento, certamente, se entupiam como únicos caminhos de fuga da estase. enfim, não havia caminho livre.
pensando agora, agora mesmo. talvez esses dois ou mais anos, tenham realmente estimulado a andarmos de bicicleta nessa cidade. eu vejo que o número de ciclistas aumentou. o foda é o calor. é simplesmente foda andar de bicicleta ao meio dia. não que andar de ônibus seja agradável. mas de bicicleta consegue ser ainda mais desgastante.
o engraçado é que eu vejo as obras terminando e o engarrafamento persisitindo. tem uma ponte nova por aqui. bonita. diferente. quase pronta. os engarrafamentos não diminuiram. o que hoje me deixou um pouco triste e encantado. talvez tanto engarrafamento, pra gente de vitória, seja como sentir que há progresso. que há problemas urbanos significativos. talvez pontes grandes e engarrafamentos constantes sejam sinais de progresso. sinais de desgaste também. mas acho que, depois de mais de dois anos, viraram mais sinal de progresso.
como alguém que se acostuma a dor, parece que essa cidade se acostumou a seus novos e velhos engarrafamentos. as vezes, no fundo, até se orgulha deles. é o constante trânsito.
essa cidade simplesmente me encata com seu aconchego. não há lugar em que eu me sinta mais achado do que em vitória. ao mesmo tempo, é uma cidade que consegue me surpreender com coisas tanto antigas quanto novas. me sinto seguro e surpreendido. parece a união de sensações díspares.
outra coisa que me encanta; as outras formas de transitar. se os engarrafamentos, de certa forma, emparelharam-se à sensação de progresso, por outro lado, formas alternativas de transitar se associam à idéia de, simplesmente, não se importar mais ou de não ter se importado nunca. o transitar progressista me remete a metas, me remete a objetivos específicos, me remete a cobrança, pontualidade. há algo além disso. o transitar denucia a diferença.
há aqueles, dentro dessa mesma cidade, que não transitam para chegar a algum lugar. transitam por transitar. são pessoas que não se afetam negativamente pelas mudanças de um determinado trânsito, mas contemplam-na em seu próprio transitar.
admiro aquele que se vê em trânsito e em paz.
muitas vezes sinto que a maioria, por aqui, mesmo tendo aceitado essa nova forma progressista de transitar, se vêem transitando em agonia.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

.achismo.

.escrevendo por aqui
eu percebi que eu acho muita coisa.
.sou quase uma fonte de opinião.
e olha que ninguém me perguntou nada.
ai, ai de quem der corda.

eu acho tudo uma mentira, isso sim.
nem nos correios eu acredito mais.

.(des)graça.

.é tipo video cacetada
é foda.
a gente acaba rindo da desgraça dos outros.
talvez seja só o alívio de não ser você.

eu acho graça nos disfarces
nas poses.

tipo alguém que tropessa
senta a ponta do pé no chão
e finge que tomou impulso.

ou quem se veste de terno elegante
vestido bonito
ocasião solene
e ataca coffee break.

eu acho graça das pessoas perdidas
que fingem que sabem onde estão.

se for pra ser perdido
é pra não se importar e encarnar o perdido
aproveita.!


eu acho que tem desgraça que é bom a gente rir
pra gente ver que superou
que não atinge mais da mesma forma
que tá distante,
ou não.

.esquizofrenia cotidiana.


.são corpos
e compras
e luzes
e barulhos
e confusão.

.são fluxos
e olhos
e bocas
e ouvidos
e dificuldade de acompanhar.

.são desejos
e compras
e luzes
e barulhos
e sedução.

.são trânsitos
e olhos
e bocas
e ouvidos
e defesa.

.são escolhas
e compras
e luzes
e barulhos
e decepções.

.são resitências
e olhos
e bocas
e ouvidos
e esquizofrenia.

sábado, 13 de junho de 2009

.sobre meus medos.

.eu morro de medo de luz elétrica
tenho medo de tomar choque

não gosto de carros
tenho medo tanto quando estou fora quanto quando estou dentro
atropelamento e batida

sempre acho que as aranhas vão me atacar
sempre
se forem peludas,
eu acho que elas vão me queimar

tenho medo de câncer
de ter câncer
de ter que me perguntar
e agora?
quanto tempo?

não que eu não me pergunte isso
mas um tumor deve garantir certa frequência

eu tenho medo de assalto
medo pontual
as dez eu já não saio mais de casa

eu tenho medo de ficar só
até finjo que gosto da solidão
mas é só pra imaginar que tem alguém me procurando
no fundo é medo

eu tenho medo de morrer
eu tenho medo de durmir
eu tenho medo de não aproveitar o tempo
eu tenho medo de não ser entendido
eu tenho medo das pessoas
as vezes eu acho elas seguras demais
mas isso tem passado
ultimamente eu tenho mais medo de que as pessoas me vejam como agressivo

quando eu ouço minha voz, quando o telefone dá eco
eu não sou tão simpático quanto eu achava

acho que isso nem é medo
é estranheza.

eu tenho medo de talvez não gostar de ninguém
eu tenho medo de gozar antes da hora
eu tenho medo de falar antes da hora
eu tenho medo de dizer "te amo"
eu tenho medo de dizer "te amo" antes do gozo e da hora.

não apóio nem desmereço esses medos
é mais uma contemplação do que uma queixa.

uma lista
ao invés de um processo.

é uma risada
uma recapitulação
uma tentativa de identificação com outrem
e uma poesia.

esses são meus medos.

.a melhor coisa de um trabalho.

.é saber que você não depende dele.

.explodiu um pouco e um muito.

.hoje eu senti que eu ia explodir
que eu não cabia mais em mim
eu não cabia mais naquela rotina
eram eus contra as paredes

era só como mil desejos sem rumo
sem nome
sem voz
sem...
definição?

mas eram desejos!

eram com tudo isso também
e marshmellow

e eu não necessariamente queria ouvir

vindos de mins
vindos d'eus
sempre vindo

eu não me cabia
eus queriam sair

d'eus quase me sufoquei.
me sufoquei um pouco
perdi o ar em ansiedade

contei de novo todos os meses que faltavam.
olhei pro calendário como se ali
como num mapa
fosse mais fácil achar o caminho pra atravessar o tempo.

mas não é.

faltam 5 meses.
foram só 3.

que eus ainda estão nas lutas?
na luta de me convencer a continuar..
na luta de me convencer a parar tudo..

quais deles já desitiram?

quais deles mais me sufocaram hoje.

filhos da puta.

d'eus eu tenho amigos e inimigos.

parece que tem uns eus com um além de força
eles simplesmente dizem
'acima de tudo, até dezembro você fica aqui."
e eles não fazem questão de ser racionais ou democráticos

imagino que a única forma de resistência
seja um desmaio ou uma convulsão.

nem falta de ar adiantou
percebi isso hoje.

até dezembro nós ficamos
no curvamos
se fudemos
e aproveitamos
resistiremos
brigaremos entre nós
concordaremos (nunca por completo)
e mandaremos em vários corpos nominados sempre como "eu"

mas até dezembro nós ficamos

é um desafio
uma birra.

e só isso.
é birra.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

.já fui vilão.

.vira e mech(x)e, eu me vejo vilão
taquei o foda-se mesmo
e não foi só pra me proteger
foi pra fuder mesmo

que se foda

eu nem me sinto mal
só penso, "putz, ali, se alguém contasse essa história, eu, com certeza, seria o vilão."
é a vida.

.de como o trabalho dignifica o homem.

.não é um escolha, é um sentença
não é mais uma ação, é um reflexo
não é mais pensar, é reagir
não é mais discutir, é aceitar
não se trata de fazer, mas sim do quanto receber
não é um retribuição mensal, é um espera ardida
não é uma folga, é um alívio
não é um desaforo, é um ordem superior
não é cansaço, é preguiça
não é afinidade, é incompetência
não é necessário, é preciso
não é preciso, é mecânico
não se trata de medo, mas da possibilidade de ser mandando embora
não é seu, mas toma o teu tempo
não é dificíl de achar, só não tem quem não quer
não é competitivo, é nocivo ao outro
não é pra rever o seu caráter, é pra moe-lo
não é pra pensar só em si, é pra, também, pensar na queda do outro

não é pra dignificar o homem, é pra matá-lo.

a morte diária
sofrida
escarrada
escolhida
e assinada num caderninho azul
dignifica o homem.

o que tem de homem, num só dia
morre em um expediente, dois ou três.

.as melhores idéias.

.as melhores idéias não se tem sentado, nem andando a pé
se tem é andando de bicicleta, porra!
te venci, bigodudo safado!.

.em espera.

.faltam mais umas 50 páginas pr'eu acabar o livro do foucault

faltam mais uns 2 dias pr'eu revê-la
(estranho, ela faz falta. sentia falta de sentir falta)

faltam mais uns 5 meses e meio pr'eu viajar

faltam mais uns 5 meses e meio pr'eu largar o meu trabalho

faltam, vamo chutar aqui, uns 6 anos pr'eu acabar meu curso

faltam mais uns 65 minutos pr'eu durmir
(isso se eu não quiser chegar atrasado no trabalho)

faltam uns dois dias pra minha folga
(tá foda.)

e é isso.
eu to só esperando.

quando eu acabar tudo isso
vai ter mais coisa pra esperar
eu sei
eu confio no tamanho da vida
eu confio no meu medo do tédio
eu confio que, botando as mãos, ou não, no guidon
se você parar de pedalar você cai
e eu só não vejo porque parar de pedalar

um dia eu me perguntei por que diabos pedalar
otro dia eu me perguntei
por que não?
esse vento na cara é tão bom.

bom mesmo é se divertir na espera
sortudos aqueles que gostam de fila

o fim da fila é sempre aliviante
mas trás um vazio.

eu gosto é de me divertir nas filas
eu gosto é de escolher pelo que esperar
aquilo que vale a pena (?)
e a diversão também.

enfim,
eu não espero pelo fim pra me divertir.

estou sempre em espera e não reclamo.
(tanto.).

quarta-feira, 27 de maio de 2009

.o inferno e o absurdo.

.do tempo fez-se finitude
da finitude se desfez qualquer sentido
da falta de qualqer sentido, fez-se a possibilidade de criar todos os meus sentidos
disso tudo fez-se o absurdo

do absurdo faz-se a vida
da vida fez-se inferno
do inferno fiz-me rei.

como rei reconheci minha vontade
de minha vontade fez-se nascer poder e constraste,lágrimas e sorriso
sem formatos e quantidades
desproporcionais e imprevistos

das lágrimas e sorrisos
não me fiz questão de trocar vida
pelo certo ou tedioso
acolhi o mundo de olhos e pele aberta ao limite

bebi a vida de canudinho dando novo sentido a cada gole.

e de todo absurdo;
vida;
inferno;
contraste;
e conflito,
enfim:

fiz-me eu.

terça-feira, 26 de maio de 2009

.entrou por um ouvido e saiu pela culatra.

.eu tenho a sensação de que
tudo que eu disse até agora
e olha que eu reconheço minha tagarelice
entrou por um dos teus ouvidos e saiu pela culatra

não que a palavra seja arma
mas eu queria perceber afeto
eu queria de verdade ver um pouco
seja de sangue
seja de porra
sejam de lágrimas
seja de lubrificação
sejam de risos
seja de (insira aqui a secreção que mais te vale!)

na constante intenção de te atingir
eu apanho muito diante dessa sua barreira
eu apanho tanto pra esse silêncio
apanho tanto que, inclusive, fico tonto

chego a pensar que você se faz de pedra ou de silêncio
ou dos dois.
chego a achar que as pessoas são imunes

eu sou o último humano da face da terra
eu sou o último vulnerável
o último dos babacas e dos esforçados
o último daqueles que
um dia
acreditaram na utilidade das palavras.

domingo, 24 de maio de 2009

.por um instante tudo foi realidade.


.desde a órbita dos planetas
até a estrutura atômica

de papai noel
até aquele seu verdadeiro amor que duraria pra sempre

todas as palvras
todas as mentiras

todos os pensamentos
e todas as incertezas

cada passo dado
cada passo recuado

não é que nada disso não tenha sido
mas já foi

e, o mais difícil
é definir se algo em algum momento é

tudo já foi

na dúvida de tudo que eu tinha
na dúvida de em que acreditar

resolvi acreditar naquilo em que acreditava
e pronto, me basta

acreditei em tudo
em tudo que durasse enquanto eu acreditava

tudo aquilo que não dura mais de um instante
e, logo um instante depois, já se foi

a beleza do instante, do tudo e da realidade
é a utilização corriqueira de termos tão mentirosamente abrangentes

são as maiores mentiras da abrangência, vamos concordar
é tudo tão imensurável

quanto dura um instante?
quanto cabe em tudo?
quanto disso tudo é real?

eu só piso firme por causa do meu braço
e do que tá escrito nele.

.o melancólico(?).

.por um instante tudo foi realidade.

só que;

.por um isntante tudo é realidade.

e, também

.por um instante tudo será realidade.

maldição...
bem como uma vez um amigo me disse:
- como alguém consegue afirmar algo tão pessimista quanto que o tempo destrói tudo.? droga, o tempo constrói tudo, também.

e eu me marquei justamente com o que já foi
eu me marquei com o passado

hoje eu me senti um melacólico tapado
como eu não tinha visto isso até hoje.

no fim das contas,
não importa a conjugação do verbo
o que importa é o peso das três palavras

.instante.

.tudo.

.realidade.

além disso, cara, só o silêncio mesmo.

sábado, 23 de maio de 2009

.senti
a
tua
falta
hoje.
.senti tanto que até senti seu cheiro.

."sentir a falta" é uma das expressões mais lindas que eu conheço.
.pequeno mérito às palavras.

.me falta...

.proteina
certezas
respostas prontas
tédio
lágrimas
saudade
coerência
objetivos
tempo
paciência

sensibilidade
e proteina.
ultimamente to quase desmaiando.


não que tudo isso me faça sentir falta sempre

só tá faltando no estoque ultimamente.

.por agora (2).

.só me beija agora
e foda-se.
lá vem o demônio
lá vem a segunda feira
lá vem nietzsche e suas idéias
eu não vou suportar tudo de novo sem isso

a eternidade seria insuportável sem o teu beijo.

domingo, 17 de maio de 2009

.definirtrilhos.


.todos seguimos nossas vidas por trilhos únicos e distintos
deixamos que alguns trilhos cruzem com os nossos
são trilhos que mudam de forma a cada instante
e, a cada instante, igualmente, mudam quem os percorre
as palavras tentam nos explicar
tentam explicar as mudanças
e, quando impossibilitadas, resta angústia

da fuga da angústia se faz vida

se faz ciência
se faz explicação
se faz perceber que estamos sempre

na constante e infinita tentativa
de definir o ser.

.teoria sobre o domingo.

.venho por meio desse escrito improvisado, tentar manifestar minha curiosidade sobre as noites de domingo.

malditas sejam as noites de domingo. a depressão que eu sinto nas noites de domigo é uma das características que me faz sentir mais humano. me faz sentir que eu tenho algo em comum com, no mínimo, umas 6 bilhões de pessoas.

sabe aquela sensação de dúvida se você prefere durmir ou se matar?
então, viva a noite de domingo.

eu vejo a noite de domingo como a chegada do demônio de nietzschie de toda semana.
é como se a cada maldita noite de domingo, você refletisse sobre todo o caminho que você tá tomando, só que sem perceber.!

é como se a cada semana, lá entre as 19 e as 24 horas, âlguém perguntasse constantemente em seus ouvidos:

e agora que acabou? e agora que você volta à vida? você aguenta? faz sentido? é opção ou obrigação? é o que você quer?

e ai volta tudo.

e fica palha falar do domingo sem citar a segunda.

a segunda começa e termina com um pensamento único:
a ânsia pelo próximo domingo.

segunda é o começo
é o mal humor
é a maior chance de ataque cardíaco
é uma das pontas da cobra que morde o próprio rabo.

ser humano é estar em contato com o absurdo.
ser humano ágil é aquele que ri de sua desgraça e dela faz sua graça.

.sobre o meu gostar e como você cabe certinho nele.

.uma vez alguém me perguntou se eu gostava mesmo dessa pessoa, ou se eu gostava de gostar dela.
sinceramente acho que ninguém seja assim tão especial
ninguém possui qualidades, atributos, bundinha, ou mesmo corpinho sarado
pra que eu goste dela.

eu tenho o meu gostar
as pessoas cabem nele.

se você não fosse tão você,
ficaria apertado ou sobraria muito espaço.

no teu caso,

você cabe certinho no meu gostar.

.sobre como, às vezes, a gente rima.

.nem sempre a gente rima em harmonia
às vezes até parece que a gente combina
a hora certa de fazer birra e não dar o braço a torcer.

.um telefonema.

.- me promete que não vai me deixar.

- não.

- me promete.

- não! não posso falar do amanhã com tanta certeza assim.

- quem falou em amanhã? eu falo o que eu quero ouvir agora. eu falo o que quero ouvir pois, nesse momento, mais que tudo, me dói não saber a resposta.

- mas é que você me pergunta para longa data... eu não sei por quanto tempo as palavras vão me caber...

- não me importa.

- não te importa?

- não, apenas diga que não vai me deixar.

- mas se te digo hoje, e amanhã, ou depois, não valer mais?

- diabos! só me dá a porra de uma certeza agora! é tudo que eu te peço, porra!

- não sei ser tão previsível...

- você não sabe amar!

- e você não sabe viver sem se iludir.

- de quantas ilusões você acha que pode escapar? querendo ou não, a gente sempre ama alguma merda de uma ilusão. a gente simplesmente precisa disso.

- preciso desligar...

- precisa me reconfortar, me dar algum apoio, uma base, um chão firme. me preencher enquanto há tempo e vontade!

- preciso ir.

- (covarde).

- clock... tutututututututututu.

.para sâmya,.

.essa noite eu vi uma das imagens mais belas de toda minha vida.
tão bela que, no momento em que a vi, fiz questão de dividir igualmente cada segundo de contemplação entre a admiração e a tentativa de guardar bem fundo em memória cada detalhe da cena.
te vi olhar o céu estrelado de outro estado que não o nosso.

com a cabeça entre o ônibus e o vão de uma rodovia escura, a cada passagem de luzes no sentido contrário ao nosso, e , somente nesses vários microinstantes de quase magia quase interrompida, eu via tua pele branca brilhar.
tua pele contraída de leve pela posição engraçada do pescoço e pelos sorrisos e olhares de vislumbre todos direcionados ao estrelado céu que, por pura sorte, eu te apontei.
pele linda.

antes de qualquer outro detalhe, o mais importante de todos: pele linda.

perceber com tanta facilidade que estava diante de uma das imagens mais bonitas da minha vida me fez pensar sobre crescer; sobre me tornar cada vez mais eu; sobre saber quem sou, do que gosto, o que me admira com tanta facilidade.

ad
quiri algo muito meu a partir de ti.

pensei também em como o amar, pelo menos o que eu experimento, não percorre caminhos certos.
e, se por acaso uma dia pretendesse percorrer, não conseguiria percorrer o caminho da perfeição.

meu amor se faz sem território.
meu amor se faz no tédio e na contemplação silenciosa.
se faz enfrentando a monotonia, ou mesmo escutando-a. [não entendo essa parte do meu manuscrito]
se faz sem perceber.

não importa qual o tamanho da concentração, meu amor se faz sem se perceber;
sem grande alarde
no momento, se faz com você.
se faz enquanto é pra ser feito.
se faz imperfeito
se faz maior e menor
se faz imprevisto
se faz sincero.

se faz, acima de tudo, me dando um novo sentido.


janeiro de 2009.