quinta-feira, 30 de julho de 2009

.danúbio (a se ouvir na margem).

.não é a mesma música
por mais que queiramos
não é a mesma música

nem somos as mesmas pessoas
cada vez, pessoas diferentes
se banham num danúbio diferente
ou contemplam a diferente margem
de um mesmo rio

sempre será a mesma música
sempre sendo outra música
seu corpo será mudança
e seu nome só não o será também

por se chamar danúbio.
video

.frágeis pilares.

.sorrisos cínicos ou frágeis trafegando em dor
buscando sempre as mesmas metas que se distanciam a cada dia
trocando vida por promessas e afirmar valer
confiantes no valor de nosso suor

somos como frágeis pilares sustentando diariamente novas necessidade
sem nunca nos satisfazermos, sem nunca cansarmos do mesmo
visando sempre uma suposta perfeição

parcele seu desejo em prestações
seja tudo aquilo que você nunca quis ser
se segure até o final do mês
compre agora e aguarde ao novo lançamento

mostre ao outros como é bom
seja você também nosso produto
fique calmo, isso é melhor pra você
agüente um pouco mais o peso

(as vezes) o peso se torna insuportável.

.tatuagens e cicatrizes.

.pelas palavras e frases que agora ecoam com um tom de arrependimento.
e os meus rabiscos que eu te dei, eu percebi, já se mancharam,
e tão rápido quanto, secaram das gotas do final infeliz

todas as palavras, gestos e rabiscos foram meus para serem teus
quando foram para ser, foram todos sinceros
nem me questiono se foram sinceros demais
menos sinceros do que foram não seriam meus

e eu sei que cada ato dessa vida é eterno em memória e conseqüências
e eu percebi, e nem por isso me arrependo de cada uma das minhas,
que tatuagens e cicatrizes não se apagam.

estou tão certo de viver aqui e agora,
quanto estive certo quando vivia com você.
entre os diferentes instantes
só mesmo a sinceridade e a certeza os unem.

domingo, 26 de julho de 2009

.a um amigo tão criativo quanto eu.

.eu queria que as coisas fossem um pouco mais fáceis
queria que toda essa chama de vontade de criar e gritar música e poesia
não tivesse que se conter diariamente
não tivesse que se limitar a empolgantes pensamentos
em curtas viagens de ônibus
ou conversas empolgadas onde nos imaginamos fazendo aquilo
que realmente gostariamos de fazer

queria que muitas coisas mais saissem do mundo de nossa imaginação
com a mesma força que nos impulsionam a continuar a estarmos aqui

quando eu converso contig
oas vezes eu sinto que a gente sofre e resiste
ao mesmo tempo
de forma silenciosa e intensa demais.

talvez seja esse o segredo de se estar e continuar vivo.

.o livro.

.decidi hoje
vou publicar um livro
independente mesmo
antes (ainda esse ano) pensei na possibilidade de ser escritor
ganhar dinheiro com escrita e ser publicado

mas hoje foi definitivo
vou me publicar
nem que seja com xerox
vou me publicar

odeio depender diretamente de algo ou alguém

sei que nada é independente

mas eu odeio depender de algo tão específico como uma só pessoa

ou um só objeto

acho que é por isso que eu odeio um tanto remédios e vítimas

nem acho que vai valer alguma pena
nem espero que tenham penas na história
falando em penas
o nome do livro vai ser
".será que o urubus são tão humanos assim?."

me amarro nessa frase


só não sei ainda o nome do autor.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

.despertar.

.sangue.
.eu preciso de sangue.
irrigação cerebral
o pensamento não vem
nem formata
nem processa

os olhos não abrem direito
por mais que eu queira

eu tenho gosto de baba na boca
eu tenho gosto de hoje na boca

meus pés não querem pisar por esse caminho
eles querem sambar
sambam até o baheiro pra eu mijar
sambam até a cozinha pora eu tentar beber um pouco de água
que não desce

a comida também não desce
nem tem vontade de descer

meu despertar diário
é uma forma de contra existir
ou uma forma de destruição existencial

neguei o hoje.
me deixa dormir mais 5 minutos.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

.os urubus.

.pra onde eles voam?
eles são tão lindos
a gente nem repara mais

parecem morcegos corajosos que desbravam o dia
são grandes
parecem livres e despreocupados
voam devagar e com poucas braçadas
contrastam de forma invisivel com o céu
nem reparamos mais

batem as asas e rodam pelos céus
não precisa de esforço
não precisa de objetivo
o belo se tornou comum
e deixou de ser belo
ou o belo se tornou feiúra
e, por fim, se tornou invisível
e a gente nem repara mais no vôo

tanto é, que não perguntamos
pra onde é que os urubus voam?
quando perguntei a meu irmão ele disse
em busca de comida

parece uma res
sposta muito simples pra mim
e muito complicada
ao mesmo tempo

ele tá parado
olha prum lado
olha pro outro
e levanta voô em busca de comida?
parte pra um objetivo único
com variantes poucas (carniça ou lixo)
e se basta com isso?
será que o urubu é tão humano assim?

no meu devaneio
o urubu voa por voar.

ele é um privilegiado
ele é sempre contraste com o ambiente
ele é sempre feio pra gente
ele é sempre livre e não se importa
afinal, ninguém quer exibi-lo numa gaiola

a gente não repara neles por inveja
por descaso
por desinteresse
por diferença
por medo
por arrogância
e por não nos importamos
infelizemente
a gente nem repara mais.

.nunca me contaram.

.nunca me contaram que parte do amar
envolve ficar numa posição desconfortável
de mãos dadas,
durante umas duas horas,
em média,
no cinema.

.carruagem de papelão.

.freada brusca e buzinaço
- sai dai, porra
não há paciência, não há tolerância, não há beleza
e nem era de se ter
a chuva castiga
ela é exceção por aqui, todos sabemos disso
os carros freiam com maior dificuldade
o trânsito, por si só, já é mais lento
não é obrigação de nenhum cidadão de bem
aguentar a lentidão de uma carruagem de papelão
elas que sujam o trânsito com lentidão e feiúra
com empilhamento e retrocesso
ali, num pequeno espaço cúbico
há tudo aquilo que já jogamos fora sem nso importarmos tanto
documentos
embalagens
informações
e homens
freada brusca e buzinaço
- sai da rua, caralho
na frente da carruagem
por conta dum misto de desespero e pressa
ele corre
no lugar que um dia o burro ocupou
ele corre
no lugar que um dia um escravo ocupou
ele corre
é puxador de carruagem
ensopado
talvez aflito
talvez feliz
ali, no peito do homem, nada impede que haja ironia ou discenso
mas chovia forte
os carros eram novos e potentes demais pra esperar
a carruagem de papelão resitia à agua
e ao mesmo tempo se desintegrava.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

.será que a fonte secou?.

.não consigo ter mais idéias tão claras quanto antes
não imagino textos semi prontos nem me arrisco a escrever na sorte...
será que a fonte secou?
será que tenho ocupado meus pensamentos mais com dinheiro e com notas (números)
que com palavras, afetos e ironias?
o que será de mim e dos números
talvez uma adaptação
a poesia numérica

1000 real, nada mal
6,5 não passa de semestre
13000 de comissão
9,0 sem esforço em personalidade

po, até que dá poesia.