sábado, 23 de maio de 2009

.por agora (2).

.só me beija agora
e foda-se.
lá vem o demônio
lá vem a segunda feira
lá vem nietzsche e suas idéias
eu não vou suportar tudo de novo sem isso

a eternidade seria insuportável sem o teu beijo.

domingo, 17 de maio de 2009

.definirtrilhos.


.todos seguimos nossas vidas por trilhos únicos e distintos
deixamos que alguns trilhos cruzem com os nossos
são trilhos que mudam de forma a cada instante
e, a cada instante, igualmente, mudam quem os percorre
as palavras tentam nos explicar
tentam explicar as mudanças
e, quando impossibilitadas, resta angústia

da fuga da angústia se faz vida

se faz ciência
se faz explicação
se faz perceber que estamos sempre

na constante e infinita tentativa
de definir o ser.

.teoria sobre o domingo.

.venho por meio desse escrito improvisado, tentar manifestar minha curiosidade sobre as noites de domingo.

malditas sejam as noites de domingo. a depressão que eu sinto nas noites de domigo é uma das características que me faz sentir mais humano. me faz sentir que eu tenho algo em comum com, no mínimo, umas 6 bilhões de pessoas.

sabe aquela sensação de dúvida se você prefere durmir ou se matar?
então, viva a noite de domingo.

eu vejo a noite de domingo como a chegada do demônio de nietzschie de toda semana.
é como se a cada maldita noite de domingo, você refletisse sobre todo o caminho que você tá tomando, só que sem perceber.!

é como se a cada semana, lá entre as 19 e as 24 horas, âlguém perguntasse constantemente em seus ouvidos:

e agora que acabou? e agora que você volta à vida? você aguenta? faz sentido? é opção ou obrigação? é o que você quer?

e ai volta tudo.

e fica palha falar do domingo sem citar a segunda.

a segunda começa e termina com um pensamento único:
a ânsia pelo próximo domingo.

segunda é o começo
é o mal humor
é a maior chance de ataque cardíaco
é uma das pontas da cobra que morde o próprio rabo.

ser humano é estar em contato com o absurdo.
ser humano ágil é aquele que ri de sua desgraça e dela faz sua graça.

.sobre o meu gostar e como você cabe certinho nele.

.uma vez alguém me perguntou se eu gostava mesmo dessa pessoa, ou se eu gostava de gostar dela.
sinceramente acho que ninguém seja assim tão especial
ninguém possui qualidades, atributos, bundinha, ou mesmo corpinho sarado
pra que eu goste dela.

eu tenho o meu gostar
as pessoas cabem nele.

se você não fosse tão você,
ficaria apertado ou sobraria muito espaço.

no teu caso,

você cabe certinho no meu gostar.

.sobre como, às vezes, a gente rima.

.nem sempre a gente rima em harmonia
às vezes até parece que a gente combina
a hora certa de fazer birra e não dar o braço a torcer.

.um telefonema.

.- me promete que não vai me deixar.

- não.

- me promete.

- não! não posso falar do amanhã com tanta certeza assim.

- quem falou em amanhã? eu falo o que eu quero ouvir agora. eu falo o que quero ouvir pois, nesse momento, mais que tudo, me dói não saber a resposta.

- mas é que você me pergunta para longa data... eu não sei por quanto tempo as palavras vão me caber...

- não me importa.

- não te importa?

- não, apenas diga que não vai me deixar.

- mas se te digo hoje, e amanhã, ou depois, não valer mais?

- diabos! só me dá a porra de uma certeza agora! é tudo que eu te peço, porra!

- não sei ser tão previsível...

- você não sabe amar!

- e você não sabe viver sem se iludir.

- de quantas ilusões você acha que pode escapar? querendo ou não, a gente sempre ama alguma merda de uma ilusão. a gente simplesmente precisa disso.

- preciso desligar...

- precisa me reconfortar, me dar algum apoio, uma base, um chão firme. me preencher enquanto há tempo e vontade!

- preciso ir.

- (covarde).

- clock... tutututututututututu.

.para sâmya,.

.essa noite eu vi uma das imagens mais belas de toda minha vida.
tão bela que, no momento em que a vi, fiz questão de dividir igualmente cada segundo de contemplação entre a admiração e a tentativa de guardar bem fundo em memória cada detalhe da cena.
te vi olhar o céu estrelado de outro estado que não o nosso.

com a cabeça entre o ônibus e o vão de uma rodovia escura, a cada passagem de luzes no sentido contrário ao nosso, e , somente nesses vários microinstantes de quase magia quase interrompida, eu via tua pele branca brilhar.
tua pele contraída de leve pela posição engraçada do pescoço e pelos sorrisos e olhares de vislumbre todos direcionados ao estrelado céu que, por pura sorte, eu te apontei.
pele linda.

antes de qualquer outro detalhe, o mais importante de todos: pele linda.

perceber com tanta facilidade que estava diante de uma das imagens mais bonitas da minha vida me fez pensar sobre crescer; sobre me tornar cada vez mais eu; sobre saber quem sou, do que gosto, o que me admira com tanta facilidade.

ad
quiri algo muito meu a partir de ti.

pensei também em como o amar, pelo menos o que eu experimento, não percorre caminhos certos.
e, se por acaso uma dia pretendesse percorrer, não conseguiria percorrer o caminho da perfeição.

meu amor se faz sem território.
meu amor se faz no tédio e na contemplação silenciosa.
se faz enfrentando a monotonia, ou mesmo escutando-a. [não entendo essa parte do meu manuscrito]
se faz sem perceber.

não importa qual o tamanho da concentração, meu amor se faz sem se perceber;
sem grande alarde
no momento, se faz com você.
se faz enquanto é pra ser feito.
se faz imperfeito
se faz maior e menor
se faz imprevisto
se faz sincero.

se faz, acima de tudo, me dando um novo sentido.


janeiro de 2009.