sábado, 9 de maio de 2009

.desnecessidade.

.não se importar com o controle
estando perto de outra pessoa é,
para mim,
uma das inúmeras definições
desnecessessárias
para o amar

sou tão desnecessário e

tão apaixonados por essa disnecessidade
que até escrevo poesias

as palavras são necessárias
e burras

odeio depender de gente incompetente.

.lições que aprendi ao andar de bicicleta sem botar a mão no guidon.

.lição nº2.


.quando você começa a andar de bicicleta sem botar a mão no gudion

qualquer pessoa que passe a meio metro de distância te parece mais:

- próxima
- vulnerável
- perigosa
- amendrotadora

rapidamente aumenta o medo da colisão, do contato, da troca e da capota.
o medo da pessoa perceber como você não está usando as mãos para guiar

por compaixão, medo e covardia
quando alguém se aproximava de mim
eu rapidamente segura firme no guidon

uma das coisas mais difíceis em se andar de bicicleta sem botar a mão no guidon
é acreditar que, mesmo sem pleno controle, você não vai machucar ninguém

nem a pessoa
nem você.


.medo.

.eu tenho.
.e você?.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

.diálogos.

.devia parar de imaginar diálogos
remoer passados
rever passos errados
ler o presente com os olhos virados
sentir de novo corpos já vibrados
viver constantemente relacionamentos já acabados
me esquecer em curvas
me repetir
devia
devia
devia
devia
devia
desvia a intenção.

.- você se incomodaria de conversar comigo?.

.- sim.
.- por que?.
.- você só quer tentar me seduzir de novo. vai fazer cara de santo e de piedoso. vai parecer compreensível, sincero e, até certo nível, arrependido.
.- ...
.- todo o teu pensamento de harmonia, de busca, de paz, de compreensão de si e dos outros, nada mais são do que vontade de seduzir. você não é nada mais que um covarde ao ver isso como virtude. você é um fraco.
.- parece que eu tava esperando alguém perceber isso. escrevendo isso agora, parece até que eu percebi.

"devia parar de imaginar diálogos."

terça-feira, 5 de maio de 2009

.plano pleno em pano nulo.

.eu criei um pleno plano
dentro da nulidade de um pano

tive vontade que
nem que por só um instante(/momento/fração/corrosão/digestão/temporalidade/infinitude)
eu fosse
pra você
felicidade plena.

.alfinete vermelho.

tenho um mapa do brasil no meu quarto
espetado com alfinetes brancos
um para cada estado em que já estive

destaca-se entre os alfinetes brancos
um único alfinete vermelho
espetado em vitória

minha vontade é branca
o ponto vermelho não significa casa
significa ponto de espera

não tenho tanto aqui pra chamar
qualquer coisa de casa
é apenas o local de resguardo

o local de descanso e de descaso
o local de paixões passageiras
dentro da rotina e da estagnação

o local intermediário
o local triste
o local familiar

“se não fosse o mar, o mesmo que eu não me banho faz tempo, talvez eu não estivesse aqui. provavelmente ainda estaria aqui, mas não estaria por completo. o mar me convenceu de que aqui é um bom lugar. e o mar apenas. seria menos sem a presença do mar."